segunda-feira, 4 de agosto de 2025

A INVENÇÃO DA RELIGIÃO: controle social e institucionalização do perdão

A INVENÇÃO DA RELIGIÃO: controle social e institucionalização do perdão

 Francisco Paulo Rodrigues Mestre[1]

  Resumo: Este artigo investiga a origem da religião sob a ótica da função de controle social, desde os primeiros vislumbres humanos frente ao desconhecido na Pré-História até sua institucionalização nas civilizações antigas. A partir de uma análise interdisciplinar entre antropologia, sociologia e história, demonstra-se como os medos primitivos — como fenômenos naturais e predadores — foram canalizados em sistemas simbólicos que estruturaram normas sociais e coesão grupal. Buscamos a aproximação dos diálogos de autores como Durkheim, Eliade, Freud  e Marx para compreender o papel funcional da religião no ordenamento coletivo, destacando sua persistência como instrumento normativo e de dominação ideológica, política e econômica.

 Palavras-chaves: Religião; Religião; controle social; pecado; medo; institucionalização.



[1] Pedagogo (ULBRA), Especialista Filosofia (FACULESTE), Mestre em Ensino (UNIVATES), pesquisador. xykomestre@gmail.com

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4 comentários:

  1. Respostas
    1. Li teu artigo com bastante atenção e queria começar dizendo que achei o recorte histórico e sociológico muito bem construído. O diálogo com os autores dá consistência ao argumento, e a leitura da religião enquanto instituição que, historicamente, também operou como mecanismo de controle social é legítima e necessária — especialmente para denunciar abusos reais de poder, moralização da culpa e instrumentalização política da fé.

      Meu incômodo não é com o uso dessas lentes em si, mas com o fato de o texto permanecer exclusivamente nelas. Ao explicar a religião apenas por suas funções sociais, políticas e psicológicas, tudo tende a ser lido como medo, controle ou dominação, o que acaba reduzindo um fenômeno que é mais complexo. Senti falta do ponto de vista interno das próprias tradições religiosas, especialmente da teologia. O texto fala muito sobre as religiões, mas raramente a partir delas, e conceitos como fé, perdão, graça e transcendência aparecem quase sempre como construções funcionais, e não como experiências existenciais reais para quem crê.

      Também tive a impressão de que o texto assume, ainda que indiretamente, que toda experiência religiosa — inclusive a própria ideia de Deus — seja necessariamente uma criação humana. Entendo que isso decorre em grande parte das bases teóricas utilizadas, especialmente de autores como Freud, com os quais discordo bastante nesse ponto. A leitura acaba soando menos como uma postura laica e mais como um ateísmo metodológico. Pra mim, ser laico não exige negar a possibilidade do transcendente, apenas não pressupô-lo nem descartá-lo de antemão.

      Ao mesmo tempo, reconheço — e lamento — que é muito comum que fiéis aceitem de forma acrítica tudo o que é dito por autoridades religiosas. Essa ausência de criticidade, na minha visão, contribui fortemente para a facilidade com que a fé pode ser usada como instrumento de dominação. Estimular reflexão, questionamento e responsabilidade pessoal parece essencial para que haja sinceridade religiosa, e não submissão cega.

      Por fim, percebo que parte das críticas feitas à religião parte de uma moldura ideológica específica, especialmente de matriz marxista, na qual a religião aparece quase sempre como obstáculo a determinadas pautas. Isso ajuda a explicar alguns diagnósticos, mas também corre o risco de generalização. Em muitos casos, o problema não está na religião em si, mas na instrumentalização — tanto da religião quanto da política — por pessoas e grupos que absolutizam suas próprias visões de mundo.

      No fim, minha impressão é que o artigo faz uma crítica importante à religião enquanto instituição histórica, mas deixa pouco espaço para pensar a fé como experiência genuína, crítica e até contra-hegemônica. Talvez esse não fosse o objetivo do texto, mas acho importante explicitar esse limite para que a crítica não se torne totalizante.

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    2. Perfeito! Lembrando que um artigo acadêmico não possui a profundidade de uma dissertação ou uma tese. Mas pretendo ampliar os estudos e, com certeza, levarei em conta as observações descritas por você! Muito obrigado por discutir e compartilhar sua visão! Grande abraço!

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