JOGOS DIGITAIS E ENVELHECIMENTO: benefícios, riscos e usos na população 60+
Francisco P. R. Mestre
Mestre em Ensino (UNIVATES)
RESUMO: Este artigo analisa os benefícios e as ambivalências dos jogos digitais móveis na população com 60 anos ou mais, a partir de uma abordagem interdisciplinar que articula contribuições da neurociência, da gerontologia e da educação. Parte-se da premissa de que o envelhecimento, compreendido como processo multidimensional, demanda novas formas de participação social e inclusão digital em contextos marcados pela crescente digitalização da vida cotidiana. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa de natureza teórica e analítica, baseada na revisão de literatura nacional e internacional e na construção de uma tipologia dos jogos digitais conforme as habilidades predominantes que mobilizam. Os resultados indicam que diferentes categorias de jogos — como jogos de lógica, memória, estratégia, interação social e regulação emocional — contribuem de maneira diferenciada para a estimulação cognitiva, o bem-estar subjetivo, a coordenação motora e a participação social. Contudo, evidenciam-se também limites e riscos associados a esses dispositivos, como a captura da atenção, a monetização predatória, a exclusão digital e a sobrecarga cognitiva. Conclui-se que os jogos digitais configuram-se como dispositivos sociotécnicos ambivalentes, cujos efeitos dependem das condições de uso, do perfil dos usuários e das lógicas que orientam seu desenvolvimento. Defende-se, por fim, a necessidade de políticas públicas, práticas educativas e princípios de design que promovam usos éticos, inclusivos e socialmente responsáveis dessas tecnologias na velhice.