segunda-feira, 30 de março de 2026

JOGOS DIGITAIS E ENVELHECIMENTO: benefícios, riscos e usos na população 60+

 JOGOS DIGITAIS E ENVELHECIMENTO: benefícios, riscos e usos na população 60+ 

Francisco P. R. Mestre 

Mestre em Ensino (UNIVATES) 

RESUMO: Este artigo analisa os benefícios e as ambivalências dos jogos digitais móveis na população com 60 anos ou mais, a partir de uma abordagem interdisciplinar que articula contribuições da neurociência, da gerontologia e da educação. Parte-se da premissa de que o envelhecimento, compreendido como processo multidimensional, demanda novas formas de participação social e inclusão digital em contextos marcados pela crescente digitalização da vida cotidiana. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa de natureza teórica e analítica, baseada na revisão de literatura nacional e internacional e na construção de uma tipologia dos jogos digitais conforme as habilidades predominantes que mobilizam. Os resultados indicam que diferentes categorias de jogos — como jogos de lógica, memória, estratégia, interação social e regulação emocional — contribuem de maneira diferenciada para a estimulação cognitiva, o bem-estar subjetivo, a coordenação motora e a participação social. Contudo, evidenciam-se também limites e riscos associados a esses dispositivos, como a captura da atenção, a monetização predatória, a exclusão digital e a sobrecarga cognitiva. Conclui-se que os jogos digitais configuram-se como dispositivos sociotécnicos ambivalentes, cujos efeitos dependem das condições de uso, do perfil dos usuários e das lógicas que orientam seu desenvolvimento. Defende-se, por fim, a necessidade de políticas públicas, práticas educativas e princípios de design que promovam usos éticos, inclusivos e socialmente responsáveis dessas tecnologias na velhice.

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quarta-feira, 25 de março de 2026

MONETIZAÇÃO EM REDES SOCIAIS: somos clientes ou produto?

                                        MONETIZAÇÃO EM REDES SOCIAIS:

somos clientes ou produto?

Francisco P. R. Mestre

Mestre em Ensino (UNIVATES)

RESUMO: O presente artigo analisa criticamente a responsabilização civil das plataformas digitais a partir da lógica de monetização baseada em engajamento e da atuação de sistemas algorítmicos de recomendação. Parte-se da hipótese de que o regime jurídico vigente, especialmente no contexto brasileiro, ancora-se em uma concepção de neutralidade incompatível com a realidade técnico-operacional dessas plataformas, que exercem função ativa na curadoria e amplificação de conteúdos. A partir de abordagem interdisciplinar, que articula Direito Civil, proteção de dados, teoria da regulação digital e aportes da teoria da educação, examinam-se os limites do Marco Civil da Internet, os instrumentos da Lei Geral de Proteção de Dados e as propostas do Projeto de Lei n.º 2630/2020. Sustenta-se que a monetização orientada por dados e engenharia comportamental produz riscos sistêmicos que transcendem a esfera individual, assumindo também dimensão formativa ao incidir de modo desproporcional sobre crianças e adolescentes, compreendidos como sujeitos de risco ampliado. Argumenta-se que a atuação algorítmica das plataformas interfere nos processos de socialização e formação da autonomia crítica, configurando ambientes informacionais orientados por lógicas econômicas e não pedagógicas. Como contribuição teórica, propõe-se a adoção de um modelo de responsabilidade por amplificação, articulado à teoria do risco da atividade e aos deveres derivados da boa-fé objetiva, bem como o desenvolvimento da noção de responsabilidade por arquitetura, voltada à análise estrutural dos sistemas digitais. Conclui-se que a construção de um regime jurídico adequado demanda a incorporação de uma perspectiva preventiva, sistêmica e interdisciplinar, capaz de compatibilizar a proteção de direitos fundamentais com a complexidade do ambiente digital contemporâneo e com a necessidade de resguardar as condições de formação do sujeito.

Palavras-chave: responsabilidade civil; algoritmos; plataformas 

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segunda-feira, 23 de março de 2026

CRIANÇAS E ADOLESCENTES NO AMBIENTE DIGITAL: PRESENÇA FÍSICA E AUSÊNCIA SIMBÓLICA PARENTAL (2026)

 CRIANÇAS E ADOLESCENTES NO AMBIENTE DIGITAL: PRESENÇA FÍSICA E AUSÊNCIA SIMBÓLICA PARENTAL (2026)

                                                                                                                                       Francisco P. R. Mestre  

                                                                                                                                                    Mestre em Ensino (UNIVATES)

   

Resumo: O presente artigo analisa a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital a partir de uma abordagem interdisciplinar que articula fundamentos jurídicos, educacionais e sociocomunicacionais. Parte-se da hipótese de que a vulnerabilidade infanto-juvenil não decorre exclusivamente da exposição às tecnologias, mas da interseção entre a ambiguidade comunicacional própria da linguagem digital e a fragilização das mediações simbólicas, especialmente no âmbito familiar. Inicialmente, examina-se a linguagem digital contemporânea, com ênfase no uso de emojis como sistemas simbólicos híbridos, cuja ambiguidade pode ser explorada em interações de risco. Em seguida, desenvolve-se o conceito de ausência simbólica parental, compreendida como insuficiência de referenciais normativos e interpretativos na mediação das experiências digitais. No plano jurídico, analisa-se o arcabouço normativo brasileiro, com destaque para a Constituição Federal, o Estatuto da Criança e do Adolescente, o Código Civil, o Marco Civil da Internet e a Lei Geral de Proteção de Dados, evidenciando seus limites diante da complexidade das interações digitais. Posteriormente, discute-se o papel da educação digital e da mediação parental como estratégias de prevenção, enfatizando o letramento crítico, as competências socioemocionais e a ética digital. Por fim, sustenta-se a necessidade de um modelo de responsabilidade compartilhada entre família, Estado e plataformas digitais. Conclui-se que a efetivação da proteção integral, no contexto digital, exige a articulação entre normatividade jurídica, práticas educativas e fortalecimento das mediações simbólicas.

Palavras-chave: proteção integral; infância; ambiente digital; mediação parental; letramento digital; ambiguidade comunicacional. 


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quinta-feira, 19 de março de 2026

O QUE ESTAMOS ELEGENDO? Política, desinformação e formação do juízo na contemporaneidade

 O QUE ESTAMOS ELEGENDO?

Política, desinformação e formação do juízo na contemporaneidade 

(2026)

 Francisco P. R. Mestre

Mestre em Ensino (UNIVATES)

 

 

Resumo: O presente artigo problematiza o processo eleitoral contemporâneo a partir da questão “o que estamos elegendo?”, deslocando o foco da escolha de representantes para as condições de formação do juízo político. Parte-se de uma retomada dos fundamentos da política na tradição clássica grega, com Sócrates, Platão e Aristóteles, avançando para os deslocamentos históricos do conceito de política e da noção de verdade na modernidade e contemporaneidade. Analisa-se o impacto da desinformação e das mediações algorítmicas na configuração do debate público, com base em autores como Max Weber, Hannah Arendt e Jean-François Lyotard. Por fim, discute-se o desafio educativo na formação de adolescentes em contexto de fragilidade epistemológica, defendendo a centralidade da educação na constituição de sujeitos capazes de participação democrática crítica.


Palavras-chave: política; desinformação; educação; democracia; formação do juízo.


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terça-feira, 17 de março de 2026

PRESENÇA INDÍGENA NO ESPAÇO URBANO: A RECONFIGURAÇÃO ÉTICA DA CONVIVÊNCIA (2026)

                             PRESENÇA INDÍGENA[1] NO ESPAÇO URBANO:

A RECONFIGURAÇÃO ÉTICA DA CONVIVÊNCIA (2026)

 Francisco P. R. Mestre

Mestre em Ensino (UNIVATES)

RESUMO: O presente artigo analisa a presença de povos indígenas em contextos urbanos contemporâneos, compreendendo-a como expressão de tensões históricas, epistemológicas e éticas decorrentes da colonialidade. A partir do diálogo entre Boaventura de Sousa Santos, Ailton Krenak, Davi Kopenawa, Aníbal Quijano, Achille Mbembe, Judith Butler, Michel Foucault e Eduardo Viveiros de Castro, discute-se a persistência de estruturas coloniais, a crítica à universalidade da condição humana e a necessidade de reconfiguração das bases civilizatórias modernas. Argumenta-se que o incômodo social diante da presença indígena revela limites da racionalidade ocidental em reconhecer a pluralidade ontológica e epistemológica. Conclui-se que o acolhimento de povos indígenas em contextos urbanos deve ser compreendido como prática de justiça histórica e transformação ética da convivência social.

 Palavras-chave: Povos indígenas; Colonialidade; Epistemologias do Sul; Reconhecimento; Espaço urbano.


[1] Adota-se o termo “indígena” e suas variações semânticas à “povos originários” por estar consolidado em documentos oficiais, como a Constituição Federal de 1988 (art. 231); por ser utiliizado por organismos internacionais, como a Convenção 169 da OIT; Por ser padrão em órgãos como a FUNAI e por predominar na produção acadêmica (antropologia, educação, direito).

quarta-feira, 4 de março de 2026

VIOLÊNCIA ESCOLAR: Desafios contemporâneos à proteção do educador.

 VIOLÊNCIA ESCOLAR: Desafios contemporâneos

à proteção do educador. (2026)

 Francisco P. R. Mestre

Mestre em Ensino (UNIVATES)

  

Resumo: O artigo analisa a violência contra profissionais da educação no Brasil à luz da crise contemporânea da autoridade e das transformações nas dinâmicas familiares. A partir de revisão teórica e análise documental de legislações estaduais recentes de proteção ao educador, argumenta-se que a intensificação de episódios de agressão física, simbólica e digital não pode ser compreendida apenas como problema disciplinar ou de segurança pública, mas como expressão de mudanças estruturais nas formas de mediação intergeracional. Dialogando com referenciais da filosofia política e da sociologia da educação, sustenta-se que a fragilização da autoridade parental, a individualização social e a judicialização dos conflitos escolares compõem o cenário no qual emergem demandas por respostas normativas mais rigorosas. Defende-se que políticas públicas eficazes devem articular proteção jurídica, prevenção institucional, apoio às famílias e valorização material e simbólica do magistério, superando abordagens exclusivamente punitivas. Conclui-se que a proteção ao educador constitui elemento estruturante para a preservação da escola como espaço público de formação e mediação social.

 

Palavras-chave: violência escolar; autoridade; políticas públicas; família; valorização docente.

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segunda-feira, 2 de março de 2026

MEMÓRIA AFETIVA: Narrativa autobiográfica como fundamento para uma compreensão interdisciplinar da identidade

 MEMÓRIA AFETIVA: Narrativa autobiográfica como fundamento para uma compreensão interdisciplinar da identidade

 
Francisco P. R. Mestre
Mestre em Ensino (UNIVATES)

 

Resumo: Este artigo investiga a relação entre memória afetiva e construção da identidade a partir de uma narrativa autobiográfica que rememora experiências de cuidado materno na infância em contexto de pobreza material. A pesquisa articula abordagem qualitativa de inspiração autoetnográfica com revisão bibliográfica interdisciplinar envolvendo Psicologia, Sociologia, Filosofia, Educação e Estudos da Memória. Sustenta-se que a memória afetiva, especialmente aquela vinculada a experiências primárias de cuidado, constitui elemento estruturante da identidade pessoal e relacional. Dialoga-se com autores como Halbwachs (1990), Ricoeur (2007), Tulving (1983), Conway (2005), Nelson (2003), Le Goff (1990), Bosi (1994), entre outros. Conclui-se que a memória afetiva não apenas preserva experiências emocionais, mas orienta práticas éticas, pedagógicas e familiares ao longo da vida.

 

Palavras-chave: Memória afetiva. Identidade. Narrativa autobiográfica. Formação humana. Educação.

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DA REFORMA PROTESTANTE AO ILUMINISMO NO BRASIL: formação histórica, limites estruturais e permanências

  DA REFORMA PROTESTANTE AO ILUMINISMO NO BRASIL: formação histórica, limites estruturais e permanências Francisco P. R. Mestre Mestre ...