A DESUMANIZAÇÃO COMO PROCESSO HISTÓRICO-ESTRUTURAL: a banalização do mal (2026)
Mestre em Ensino
(UNIVATES)
RESUMO: O presente artigo analisa a
desumanização como processo histórico-estrutural, articulando contribuições da
filosofia moral, da teoria política, da sociologia crítica e da pedagogia
contemporânea. Parte-se da hipótese de que atos de crueldade e indiferença moral
não constituem desvios isolados, mas expressões de uma erosão ética sustentada
por três vetores estruturais: a racionalização instrumental da vida, a
desigualdade na aplicação da responsabilização jurídica e moral e a
fragilização da formação ética nas instituições educativas e culturais. O
referencial teórico dialoga com Hannah Arendt, especialmente a noção de
banalidade do mal e suspensão do pensamento; Zygmunt Bauman e a crítica à
racionalidade burocrática moderna; Theodor Adorno e a reflexão sobre barbárie e
formação; Pierre Bourdieu e o poder simbólico; Michel Foucault e os
dispositivos disciplinares; Achille Mbembe e a categoria de necropolítica
aplicada ao contexto brasileiro; além de fundamentos normativos em Immanuel
Kant, Emmanuel Levinas, Paul Ricoeur e Martha Nussbaum. No campo educacional,
mobilizam-se Paulo Freire, Lawrence Kohlberg e Carol Gilligan para discutir
formação moral e ética do cuidado. Sustenta-se que a desumanização se consolida
quando a dignidade deixa de operar como princípio universal e passa a ser
distribuída de modo seletivo. Defende-se, por fim, que a reconstrução ética
exige universalização efetiva da responsabilização, fortalecimento da educação
emancipatória e reconfiguração do espaço público como horizonte de reconhecimento
e alteridade.
Palavras-chave: Desumanização.
Banalidade do mal. Necropolítica. Ética. Educação. Responsabilidade.
Grande Mestre Xyko, que publicação aprofundada!
ResponderExcluirÉ uma visão muito interessante sobre a desumanização, enfatizaste bem, ela não é um problema individual, mas algo que vem das estruturas sociais e históricas. Essa ligação com autores da filosofia e educação deixa a discussão rica e atual. Infelizmente teremos muito trabalho pela frente para reforçar a responsabilidade ética e a educação para reconstruir o sentido de dignidade. Muito inspirador. Baita chamada para uma reflexão para a gente a pensar num mundo mais justo e humano.
Parabéns Mestre!
Muito obrigado pelo feedback! Não é um estudo conclusivo, por isso a importância da discussão! Grande abraço.
ExcluirQue contribuição! Uma parte específica me chamou à atenção: prevenir um novo Auschwitz (nas minhas palavras). Ainda não é totalmente claro pra mim, embora eu ache possível insurgir contra um movimento violento sem violência, com argumentos concretos e embasados, como lutar contra um sistema violentamente aparelhado como o da escravidão sistemática. Se puder contribuir um pouco mais, agradeço!
ResponderExcluirEu que agradeço o interesse meu irmão. Providenciarei nos próximos estudos! Grande abraço
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