Francisco P. R. Mestre
Pedagogo (ULBRA), Historiador (ÚNICA),
Especialista em Filosofia (FACULESTE),
Mestre em Ensino (UNIVATES
RESUMO: Este artigo investiga, de forma
interdisciplinar e aprofundada, a potência terapêutica, filosófica, social e
neurobiológica do abraço enquanto prática relacional fundamental para a
experiência humana. Partindo de referenciais da psicologia, psiquiatria,
neurociência, filosofia, antropologia e ciências sociais, o estudo demonstra que
o abraço transcende o gesto afetivo cotidiano, constituindo-se como mecanismo
de regulação emocional, modulador neuroendócrino, dispositivo cultural e
expressão ética da alteridade. Evidências científicas indicam que o contato
físico seguro promove liberação de ocitocina, redução do cortisol, equilíbrio
autonômico e fortalecimento da sensação de pertencimento. Na esfera clínica, o
abraço, quando consentido e eticamente contextualizado, contribui para a
estabilização emocional, auxiliando no tratamento de transtornos relacionados
ao estresse, ansiedade e depressão. No plano filosófico, configura um ato de
reconhecimento e responsabilidade diante do outro. Conclui-se que o abraço
representa uma tecnologia relacional de cuidado, capaz de articular corpo, afeto,
cultura e saúde mental, assumindo lugar estratégico em práticas de promoção do
bem-estar e da dignidade humana.
PALAVRAS-CHAVES: abraço; afetividade;
neurociência; saúde mental; alteridade; cuidado.