terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

PROGRESSÃO AUTOMÁTICA NO ENSINO FUNDAMENTAL: inclusão estatística e exclusão pedagógica

 PROGRESSÃO AUTOMÁTICA NO ENSINO FUNDAMENTAL: inclusão estatística e exclusão pedagógica

Francisco P. R. Mestre
Mestre em Ensino (UNIVATES)

 Resumo: O presente artigo analisa criticamente a política de progressão automática no ensino fundamental brasileiro, problematizando seus impactos sobre os processos de ensino e aprendizagem, especialmente nos anos iniciais da escolarização. Parte-se da constatação empírica de que um número significativo de crianças avança para os anos subsequentes sem domínio da leitura e da escrita, o que compromete o acesso ao currículo e aprofunda desigualdades educacionais. A análise fundamenta-se nos aportes teóricos de Pierre Bourdieu, Dermeval Saviani, Carlos Libâneo e Paulo Freire, articulando-os ao papel das avaliações internas e externas em larga escala na indução e legitimação dessa política. Defende-se que a progressão automática, quando dissociada de intervenções pedagógicas efetivas e de uma concepção formativa de avaliação, converte-se em mecanismo de inclusão estatística e exclusão pedagógica, atendendo mais às demandas gerenciais do sistema educacional do que às necessidades formativas dos estudantes.

Palavras-chave: progressão automática; avaliação educacional; alfabetização; desigualdade escolar; políticas educacionais.

Artigo completo (PDF)

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