DA REFORMA PROTESTANTE AO ILUMINISMO NO BRASIL:
formação histórica, limites estruturais e permanências
Francisco P. R. Mestre
Mestre
em Ensino (UNIVATES)
RESUMO:
O presente artigo analisa a
trajetória histórica que articula a Reforma Protestante ao Iluminismo e sua
posterior recepção no Brasil. Parte-se da hipótese de que a Reforma contribuiu
para a formação da subjetividade moderna, ao promover a interiorização da fé e
a valorização da consciência individual, criando condições culturais para o desenvolvimento
do pensamento iluminista. O Iluminismo, por sua vez, amplia esse processo ao
universalizar a autonomia racional e instituir a crítica sistemática à
autoridade. No entanto, no Brasil, a ausência de uma experiência reformista e a
mediação das reformas pombalinas resultaram em uma apropriação seletiva dessas
ideias. Argumenta-se que tal processo produziu uma modernização conservadora,
marcada pela centralização do Estado, pela persistência de desigualdades
estruturais e pela limitação da participação democrática. A análise evidencia
que a modernidade brasileira se constitui como um processo híbrido, no qual
instituições modernas coexistem com práticas tradicionais, revelando tensões
ainda presentes na sociedade contemporânea.
Palavras-chave: Reforma Protestante;
Iluminismo; modernidade brasileira; Estado; desigualdade.