ENTRE A DESPEDIDA E O REENCONTRO: Finitude e
densidade simbólica nos rituais de morte (2026)
Francisco
P. R. Mestre
Mestre
em Ensino (UNIVATES)
Resumo:
Este artigo analisa os rituais de
morte sob perspectiva interdisciplinar, articulando contribuições da
antropologia, sociologia, filosofia e estudos da espiritualidade. Parte-se da
hipótese de que o velório constitui um espaço liminar no qual se entrelaçam
despedida e reencontro, ruptura e reorganização, tristeza e reafirmação da
vida. Argumenta-se que o ritual funerário não se destina exclusivamente ao
falecido nem apenas aos vivos, mas opera como dispositivo simbólico de
reorganização do sentido coletivo diante da finitude. A partir do diálogo com
autores como Van Gennep, Turner, Durkheim, Ariès, Morin, Elias, Bauman,
Heidegger, Kierkegaard e Ricoeur, sustenta-se que os rituais de morte
permanecem, mesmo na modernidade acelerada, como momentos privilegiados de
condensação existencial e reconstrução dos vínculos sociais. Conclui-se que
vida e morte, longe de se configurarem como polos excludentes, revelam-se
dimensões dialéticas da condição humana, sendo o ritual funerário um espaço
onde a consciência da finitude intensifica o valor do encontro e reinscreve a
memória na continuidade simbólica da comunidade.
Palavras-chave: rituais de morte;
liminaridade; luto; finitude; sociologia da morte; espiritualidade; memória
coletiva.